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6 de mai de 2014

De repente, 30

Aí a ideia é fazer 30 postagens semanais sobre uma deidade. Escolhi falar de duas, já que tenho dois Pais Divinos, Set e Khepera.  :)

1- Uma introdução básica sobre a deidade
Set

    Pensar em Set por si só já é polêmico. Tradicionalmente Ele é retratado como assassino, usurpador, invejoso, estéril, cruel, impiedoso, e tantas outros títulos feios. Seu nome tornou-se sinônimo de destruição, monstruosidade e até demônio acabou virando. Bom, enquanto escrevo, sinto a presença Dele bem próxima - indiscutível e única - e ouso ainda dizer que boa parte dos títulos me vieram à lembrança por sugestão dele, inclusive. 
    Não, não virei esquisotérica daquelas que pensa que um raio de sol refletido na parede já é uma mensagem de Rá, mas ter contato com os deuses é parte essencial da minha religiosidade. E Set, em sendo um dos meus Pais Divinos, não ficaria fora dessa prática.   
    Ele é o terceiro dos filhos de Geb e Nut. Ou seja, temos Wesir como primeiro na linha de sucessão real, aí vem Heru-wer e por fim, Set. Todas as obrigações e cerimônias recaem para Wesir, como futuro rei. Heru-wer é o próximo, caso a algo aconteça, e assim seu foco está em explorar, lutar e guerrear pelo mundo a fim de tornar-se mais forte. E aí temos Set, cheio de poderes, repleto de energia e longe das burocracias da realeza.  
    Ora, convenhamos,  vamos fazer um exercício: você é um deus, com terras,  pessoas que te adoram e não tem que ficar preso a nenhuma convenção de nada, por que não... causar um pouco? E assim é. Set é a tempestade de areia, o mar revolto, o relâmpago que incendeia árvores. É o tornado que derruba cidades, o caminhão de cerveja que tomba, a pasta que caiu no chão e espalha relatórios. São todas as forças incontroláveis e inevitáveis que transformam drasticamente o que quer que toquem.   
    Ele ri, uma risada rouca que mais parece um rosnado, muitas vezes no meio destas situações. Não é um deus louco ou mórbido, tampouco cruel. É apenas aquele que faz o que deve ser feito, não importa o que vá acontecer com ele, e assim um novo cenário possa se configurar: a cidade é novamente construída e fica mais eficiente, a estrada fica mais segura depois do acidente (e uma galera ainda pega cerveja grátis!), os relatórios tem que ser refeitos de um modo melhor. Voltemos ao exercício: como não rir se a galera pegou cerveja grátis, agora está fazendo uma festa e isso tudo por algo que você, que é o deus, fez?
    Você sorriu, né? É. Bem vindo ao lado B de Kemet.  




Um comentário:

Odir Fontoura disse...

Eu adoro os tricksters. Hermes, Loki, o Diabo, Set... Eles estão aí pra nos lembrar que não existe ordem sem caos e que a verdade não é verdade se não está atrás de uma máscara de mentira.