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27 de ago de 2014

Awen para quem é de Awen

Eu gosto de pessoas, de estar com elas. Nasci curiosa e cosmopolita. Nunca fui dessas crianças que só querem ficar com os pais, estranham os outros, essas coisas. Pelo contrário, eram meus pais que tinham que falar para eu voltar para casa, porque se dependesse de mim... Mas essa é outra prosa.

Uma das coisas que eu faço, já de longa data é ter contato com pessoas de diferentes estilos, opiniões, idades, nacionalidades, sexualidades... e religiões. Eu visito, eu converso, eu pergunto, eu vou lá e vejo, tiro minhas próprias conclusões, extraio uma vivência que cimenta minha opinião. É meu momento antropológa. 
Ao longo dos anos venho conhecendo e armazenando vivências (e amigos!) dos mais variados.

E o que isso tudo tem a ver com Egito e minhas práticas? Tudo. Conhecer os "vizinhos", estar aberto a outras culturas, sempre fez parte do Egito. Como posso eu não me dispor a fazer o mesmo?

Agora, neste ano de Aset, a Senhora da Magia, senti que era hora de falar. Decidido, feito. 

Ah sim, tudo que eu falar, não só neste, mas em outros posts são minhas impressões e, se alguém se ofender, dois trabalhos: se ofender e se desofender.. 

Começo falando sobre uma experiência legal demais que tive com o povo que se dedica a espiritualidade celta aqui na terra Brasilis.Em 2012 tive o prazer e o privilégio de ser convidada para o IIIº EBDRC - Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, que rolou aqui no RS.

Lá pude ter contato com uma galera dos mais remotos cantos do Brasil - até gente do Acre eu conheci - e que, das mais variadas maneiras dedica sua fé aos deuses e deusas das terras das brumas. Uma das coisas que eu mais gostei foi saber que todos eles, em graus diferentes, honram a terra. A terra é essencial, importante, única, e a conexão com a natureza é inerente a suas práticas. Neste processo, muitos acabam por descobrir suas raízes, sua ancestralidade e a conhecer  e interagir com tudo que faz parte do lugar onde moram. 

Uma destas pessoas, que me deu a oportunidade de conhecer um tanto sobre os indígenas aqui no Brasil foi o Druida do Vento - o dono da risada mais poderosa ( e divertida) que eu já vi. Eu aprendi sobre os Encantados com a fada do Acre. Eu descobri que tenho uma irmã gêmea celta, balancei minhas saias coloridas dançando músicas irlandesas, passei de um mundo pra outro, bebi hidromel e gargalhei, e tudo isso no meio de uma crise alérgica sem precedentes. E, ainda por cima, fui anfitriã em uma tarde de domingo cheia de fotos e passeios na minha cidade. 

 Com o povo celta eu aprendi e continuo aprendendo, pois ainda mantemos contato, a me reconectar com a natureza de uma maneira diferente, através da ancestralidade da terra. Eles não tem deuses de um povo, mas de vários, de gauleses, escoceses, irlandeses... Eles são reconstrucionistas, druidas, os que tem sua própria denominação,ou mesmo não tem. E todas essa diferença, junto com a questão da ancestralidade da terra,  acrescenta uma variedade que acaba criando experiências de religiosidade muito singulares mesmo. 

Awen, seus lindos. Espero ser sempre bem recebida por vocês. 

P.S: o Druida do Vento fez um post mó lindo sobre o que rolou. Se quiser, espie aqui.