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12 de dez de 2012

30 dias de paganismo - Dia 04: Datas sagradas


    Toda religião tem seus esquemas de datas, seus cronogramas. Com a Ortodoxia Kemética não seria diferente.

    Como somos reconstrucionistas, utilizamos um calendário recompilado de acordo com todas as fontes históricas disponíveis. Assim, não privilegiamos os festivais de uma cidade em detrimento da outra, até porque não haveria lógica alguma nisso. Afinal, a era em que vivemos agora não tem mais o Egito dividido em nomos e cidades estado com divindades diferentes. 

    Nosso calendário anual segue o rumo das estações do Antigo Egito, regidas pelos movimentos do Nilo através do ano. Assim, temos 12 meses de 30 dias. Cada mês é regido por uma divindade e dentro dos 30 dias encontramos festivais dos mais diversos não só para a divindade do mês, mas para todas. Os festivais variam em duração, podendo ter entre 1 e 10 dias. Sim, é festa!

    No mês, celebramos especialmente o 1º, 6º, 15º e 30º dias. Ou seja, o início, a metade e o fim do mês. Cada dia deste tem uma diferente atribuição e tarefas a serem realizadas. No 6º dia reverenciamos os ancestrais. Comemoramos a Lua cheia no dia em que inicia também. 

    Temos, durante o ano, grandes festivais. O Ano-novo é nossa maior celebração. Também temos Opet celebrando a realeza, Wag que celebra os ancestrais, Aset Luminosa, a Bonita Festa do Vale para Hethert, Heb Sed com a elevação do pilar Djed para Wesir... Meus preferidos? O ano novo,sem dúvida. Em segundo lugar, Aset Luminosa, é lindo!

    Leva um tempo para se ajustar ao calendário KO, eu mesma penei no início para me adequar. O início do ano kemético não bate com o gregoriano, por exemplo. Aí chega na época do ano novo gregoriano, como faz?Faz outra festa, ora! Uma coisa não exclui a outra, a não ser que a pessoa não curta festas, claro. 

    A vida de um kemético é assim, repleta mesmo. O zepi tepi – início – é diário. Mas não é nada impossível de se administrar, mesmo com compromissos “mundanos” ou de outras fés.

22 de abr de 2012

Eu não destruí meu coração

Em hotep!
Gosto de compartilhar, especialmente aquilo que é interessante.
Aí, por uma feliz casualidade do destino, a autora deste texto o enviou para meu e-mail. Conversamos a respeito e pedi para para publicar aqui, no que ela concordou (o que me deixou muito feliz e agradecida). Seu blog, se alguém quiser visitar, o http://garota.delicada.zip.net/,  é um misto de diário mágico e escritos pessoais. Enjoy! 



"Eu Não Destruí Meu Coração"

"Eu não destruí meu coração.
Eu não fiz o mal."


     No Antigo Egito, após sua morte, uma pessoa deveria declamar as 42 Confissões Negativas de Ma'at antes que seu coração fosse posto em uma balança, para ter seu peso comparado com a Pena da Verdade de Ma'at. Caso suas palavras fossem vãs, o morto teria sua alma devorada e devolvida ao estado inicial de caos. Porém, caso seu coração fosse leve e suas palavras, honestas, a pessoa em questão desfrutaria de descanso e paz antes de retornar ao mundo dos vivos. Embora constituídas por muitos princípios compreensíveis - como não roubar, não matar, não cometer adultério e não mentir - há, porém, alguns que requerem grande interpretação e tempo para poderem ser assimilados. De qualquer forma, meu intuito hoje não é falar diretamento do aspecto histórico ou mesmo religioso das Confissões, mas, sim, de sua vivência. Viver em Ma'at não é diretamente um conceito pagão. É uma questão ética. Não se trata se seguir dogmas ou preceitos extremos, mas, sim, de viver em harmonia com o mundo, com os deuses (todos eles, sejam os egípcios, nórdicos, gregos, indianos, africanos e até mesmo o Senhor dos cristãos) e consigo mesma.
           Ao meu ver, as 42 Confissões podem se resumir em:

"Eu não destruí meu coração.
Eu não fiz o mal."

          São palavras simples, mas um significado gigantesco.
         Não há nada pior do que a maldade - falta de amor. As pessoas más sentem medo do amor. Não pode haver outra explicação. Nos dias atuais a falta de amor pode ser vista como uma epidemia. E não me refiro à falta de amor romântico, mas sim, à falta do amor incondicional. O amor entre os iguais e diferentes, o amor dentro de uma família, o amor próprio.
         O amor não se traduz em palavras. Ele é a soma de ações. O amor requer lutas e tempo. Porém, o amor é mais do que batalhas. É alegria, confiança plena e acima de tudo, respeito. O respeito é a base de toda relação, seja ela social, amorosa ou familiar. Infelizmente, precisamos lidar com pessoas que desconhecem o sentido dessa palavra. A arrogância, a ignorância e a falta de educação situam-se como as principais formas de desrespeito. Antes, eu costumava me magoar com extrema facilidade e muitas vezes, sentia revolta em meu coração. Quando passei a realmente refletir sobre as situações, percebi que não vale a pena. Não devemos destruir nossos corações com revolta por pessoas fracas - a ignorância é a máscara da fraqueza - ou mesmo gastar nossas energias lutando batalhas perdidas. Obviamente, isso não quer dizer que devemos nos fechar para o mundo. Estarmos aqui, firmes, prontas para devolver rosas aos que nos apedrejaram e abraçar os que nos deram as costas, faz toda a diferença. Na nossa vida e na vida dessas pessoas. Talvez demore. Talvez não aconteça. Mas, no final, o que realmente vale é saber que o certo foi feito.
            A vida é feita de infinitos obstáculos. Lidamos com pedras diariamente. Embora o chão seja seco, devemos espalhar sempre as sementes da bondade. Com sorte, ao lado de alguma pedra, uma árvore poderá brotar.

6 de fev de 2012

Flagrantes da vida real

Esta é a reprodução de uma mensagem que enviei a amigos que se desentenderam. Algumas partes foram editadas pois a intenção não era expor ninguém, só compartilhar com vocês um pouco do que eu penso e da maneira que, como kemética ortodoxa, estou tentando lidar com conflitos.

"Em hotep!
Depois de uma noite com pouco sono e muitas reflexões, vim falar com vocês sobre o ocorrido de ontem.

Inicialmente, alguns esclarecimentos:
Não estou tomando partido de ninguém e vamos deixar isso bem claro. Aqui todos são crescidinhos e não vou aturar nenhum tipo de alegação deste teor.
Também não vai rolar nenhuma cruzada do tipo "fulano e ciclano apoiam X contra beltrano que apoia Y".Ninguém está no grupo para essas bestagens. Sinceramente eu conto com o bom senso dos dois para nem começarem com algo do gênero também.

Tudo claro, prossigo:
Não tem propósito manter uma discussão infrutífera salva.
Não interessa quem começou e mimimi. O *** não é lugar de troca de ofensas e gritarias. Bons modos não são opcionais, educação, tampouco.
Querem brigar? É entre vocês: nem eu, ou ninguém que esteja lá tem algo a ver. Não querem mais se falar, querem se banhar no sangue um do outro ou o que valha - coisa de vocês. Nenhum de nós tem que ser atingido por conta disso.

Vocês dois já vinham num clima de tensão crescente nos últimos tempos mas nunca enfrentaram a situação de frente e ficaram vivendo de altos e baixos com sarcasmo ocasional de ambas as partes - e ninguém tomou nenhuma atitude quer para apaziguar ou detonar de vez.
Agora, agressão gratuita, em público?Isso é além de qualquer limite. Lá não é para isso. Vocês desrespeitaram mais que um ao outro, desrespeitaram todo mundo.

Nossa vida, como keméticos ortodoxos é lutar todos os dias para permanecer mais em Ma'at do que em isfet.
 
X, tu te atirou direto em isfet ao violar, só ontem, 3 das purificações: causou dor em outro (10), agiu com insolencia (26) e falou demais (31).Isto, somado ao desrespeito com todos os outros membros não é, nunca foi e nunca será aceitável.

Tu foi convidado a se retirar.
A partir de agora, aproveite esse tempo e vá pensar nas tuas atitudes, nas reais motivações dos teus atos dentro da comunidade kemética. Vá estudar e praticar a fé, pedir orientação aos deuses para clarear tua mente,  organizar o lugar da fé kemética e tudo que ela traz na tua vida - isso inclui estar em comunidade (mesmo que virtualmente), respeitar a si mesmo e aos outros, compreender que as pessoas tem o seu espaço e não tem a obrigação de aturar tudo. Ser kemético ortodoxo é também se doar e não só retirar. Exercitar o senso crítico, buscar por si e não esperar "o maná do céu". 
 
Y, já está fora. Pense o que quiser, só com clareza e equilíbrio de palavras e ações - o justo jamais deve pagar pelo injusto. Tua atitude foi uma reação, ok, mas ela foi além dos limites. Também é isfet devorarmos nosso próprio coração ao permitirmos que ele se encha de isfet (coisas nocivas, rancores e mentiras), já diz a purificação13.

E errei eu também, pois sinceramente pensei que vocês dois tinham só uma birra e não algo mais profundo. Pensei que vocês se toleravam e até, pasmem, se gostavam em algum nível - por mais raso que fosse. Eu deixei as coisas passarem sem tomar alguma atitude por conta do meu "otimismo". Isfet pra mim também, já que me esqueci da purificação 24 que fala para não trair o caminho pessoal de cada um.

Senebty."

Falarei sobre as purificações ainda por aqui, aguardem. :)