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19 de jan de 2013

Django, com d mudo

Fui assistir a Django Livre mais cedo. Sou fã do Tarantino há algum tempo - ainda lembro da sensação de choque e espanto depois de assistir Pulp Fiction, lá numa tarde perdida dos anos 90. Acabei gostando muito do estilo dele, uma coisa diferente (e com muito sangue) e procurei sempre acompanhar os seus filmes. Ah blablabla de críticos e pessoas especializadas no assunto a parte que todo mundo já sabe e eu também concordo, tem algo a mais que me faz gostar do Tarantino.

O que eu gosto nele mesmo é a capacidade que ele possui de criar mitologias completas (e vou voltar neste assunto outra hora). 

Kill Bill, por exemplo, é a saga de uma mulher que está longe de ser modelo de bondade, mas sim uma assassina que tenta mudar sua vida por conta de uma gravidez inesperada. Bom, ela sofre um revés na sua tentativa de viver uma vida feijão com arroz (eu antigo bando tenta matá-la), acaba em coma, sobrevive e aí sai em busca da reparação.  No processo ela se encontra com um mestre de armas, relembra lições de um antigo mentor num momento de vida e morte, enfrenta e mata seus adversários e por fim, sai para viver o resto de sua vida com sua filha. 

Mas em Django Livre, é diferente. Django é um Siegfried negão, autêntico e de bom coração.Ele sai da vida sem perspectiva e horrenda. Um mentor o treina, instrui e lhe mostra possibilidades. Django se permite experimentar e ir além, fazer o que for preciso, ser o que mais lhe é odioso em nome de seu objetivo.  Ele aposta, perde, mas ressurge ainda mais poderoso e cumpre o que se propôs. Tudo isso sendo ele mesmo!

Impossível não pensar em tudo que já li por aí sobre os deuses, heróis e suas jornadas épicas. Impossível não ver um pouco de Aset na Noiva de Kill Bill, um toque de Set no Django, ou Djehuty como o Dr. King Schultz. A lista de relações é imensa se for parar para pensar. 

Eu já tenho um tempo de HoN, e mais um tempo de "vida pagã". Nesse percurso, (vi) vejo de tudo um pouco. Tem os que piram e veem os deuses em tudo o tempo todo, tipo o povo que vê Jesus numa torrada. Tem também os que desenvolvem uma intimidade do tipo que leva Bast para a pet shop, praticamente. Outros, porém, parecem ficar numa eterna prisão de pesquisa - onde muitos, muitos se frustram pela falta de contato espiritual.

Uma das coisas que eu sempre falo, quando as pessoas começam o curso de iniciantes é para as pessoas conhecerem e se deixar conhecer. Manter a mente aberta. Aí passa algum tempo e muitos falam que não conseguem compreender um aspecto ou o papel  de um Netjeru. Outros reclamam que se sentem desconectados, que tudo é muito distante. Abrir a mente é para isso, para ajudar no contato, enriquecer a vivência, favorecer a parte prática - quando? Sempre, até no filme do Tarantino.  


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