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15 de jul de 2013

30 Dias de Paganismo - Dia 09 - Crenças:Ancestrais


A devoção aos ancestrais é parte da prática kemética ortodoxa. Reverenciar os que vieram antes de nós e já partiram mostra respeito e sintonia com o ciclo natural da vida. Isso não significa que praticamos necromancia, invocações bizarras ou fazemos as múmias se levantarem dos sarcófagos – isso, só nos filmes.

Inicialmente, é preciso compreender alguns conceitos. Devoção não é culto – é homenagem. Nenhum de nós se dirige para seus ancestrais como faria para os deuses. Homenageamos relembrando seus nomes, ofertando água para refrescar seus kau, acendendo incensos/velas, oferecendo algo que era de seu agrado quando viviam. Por exemplo, conheço um kemético cuja bisavó tinha suspiros como seu doce favorito, e essa será sua oferenda para ela.
O contato com os ancestrais está além de ser uma obrigação religiosa, está inserido no cotidiano. Todo mês, o 6º dia do calendário lhes é dedicado. Na prática particular de cada kemético, devemos pelo menos uma vez na semana praticarmos a devoção a eles.
 O Duat é o reino dos que já partiram, mas isso não significa que eles estão lá sem poder vir aqui novamente. Nossos ancestrais podem vir e vem nos visitar, observar, conviver não somente em uma data especial, mas em qualquer momento. Muitos de nós podemos percebe-los de diferentes maneiras, seja vendo, ouvindo ou sentindo suas energias. Alguns de nós tem sonhos com eles.
            Dando mais uma olhada em conceitos, de acordo com fontes como o Livro dos Mortos, seriam 7 (para alguns autores, 9) partes que compõem o ser humano para nós keméticos. Teríamos o espírito(ka), a alma(ba), o nome(ren), a sombra (kaibit), o corpo (kat), o coração (ib), a força vital (sekhem). Cada um destas partes tem um destino após a morte – o ib é pesado no Julgamento e as consequências são recebidas diretamente pelo ka. Caso o coração seja mais pesado que a pena de Ma’at, Ammit devora o coração e o ka se extingue – é a segunda morte. 
Correndo tudo certo, o ka justificado, agora chamado de akh (no plural akhu) ganha o direito de continuar vivendo no reino de Wesir. 

            Esta não é uma relação onde o medo tenha lugar pois um akh é alguém querido por nós. Um pai, uma avó, um vizinho atencioso, a mãe de um amigo, um herói do nosso país, um irmão de nossa fé, um faraó – todos estes são exemplos de akhu. Se alguém não teve uma boa relação com uma pessoa viva, não deve entretanto sentir-se obrigado a honrar esta pessoa. Ser hipócrita é praticar isfet – e como keméticos queremos o mínimo possível de isfet em nossas vidas. Porém, se a pessoa sentir vontade de honrar seu ancestral mesmo assim, é algo pessoal e ninguém tem o direito de julgar esta pessoa por isso.
Akh
            Muitos dos que chegam a Ortodoxia Kemética tem algum tipo de pré-conceito ou resistência a este contato, muitas vezes sem se darem conta. A cultura e a sociedade em que a maioria de nós está inserido faz “cara feia”, menospreza e/ou estabelece uma abordagem de medo e castigos com relação aos mortos. A morte é feia e má, e os que partiram estarão para sempre longe de nós – de acordo com este ponto-de-vista. Felizmente, as coisas não são assim e, para nosso alívio e dos akhu, estar na Ortodoxia Kemética alimenta o ka de todos com paz e boas relações que não se partem, mas se fortalecem.

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